quinta-feira, 19 de julho de 2007

Memória vs Esquecimento

"Uma pessoa só é esquecida quando tudo o que fez desaparecer". Li isso algures um dia. Não sei se foi numa revista ou num livro qualquer perdido no meio de muitos outros, na estante colocada no canto do meu quarto. Percebi à partida o que o autor queria dizer, mas só agora compreendo verdadeiramente.
A memória e o esquecimento são coisas completamente diferentes, mas uma leva à outra. Não se esquece uma pessoa, ela não deixa de existir para nós até que cada acto, palavra, olhar ou expressão desaparecerem também nos cantos recôndidos da nossa alma. Claro que poderiamos usar a expressão em vários sentimentos, mas quando a aplicamos num chamado amor, (ou na sua forma primitiva também chamada de paixão) ela toma contornos muito diferentes, muito mais profundos.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Dia Cru

Foi num dia destes, de verão canicular, sob um manto de estrelas afável, que te puxei para mim para sempre.
Não disfarcei a minha queda por loiras e avançei sem medos para dentro do teu coração, esperando que me deixasses entrar.
Sacrifiquei a minha decência para te prender a mim, para apenas te agradar e agradecer.
Só que tu fugiste debaixo do meu suor, evasiva, oh evasiva...
Oh, ou então foi isso ou fui eu que não aguentei o ritmo dos batimentos no meu coração e ultrapassei a velocidade máxima recomendada e saí-te da frente tão depressa como a chuva que caiu ontem e já não se sabe onde está.
Porque nos tornamos então tão insignificantes? Como os documentos de identificação... Tão inúteis como a arte... Blah.
Dia cru, esse em que te beijei e tentei reviver o mel dos dias mas nada de mais senti. Somente um fastio que passou e uma dorzinha naquele canto da barriga. Mas devia ser da comida indiana do jantar.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Encurralada

Sabem como é ter uma mosca ou uma formiga a vagear, incomodar, parasitar em cima da mesa? O que fazer? Mata-la? Isso era muito bondoso. Então, bebemos mais um trague do nosso copo de vinho e pousamo-lo mesmo em cima da mosca....que fica a vaguear durante horas naquele ciclo restricto...como uma louca, uma desesperada. Ela contorce-se...levantamos um pouco o copo para entrar ar. Que crueis que somos. Pousamos outra vez... Depois, de tão desesperada que está.... deixamo-la ir...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Fim de Mim

É o fim de mim, dos meus passos mal gravados. Estou à espera nas escadas na noite fria, mas não me importo. Sei que ao segundo cigarro ele volta. Ouço os carros e tento capturar o momento em que direi é agora e descerei os degraus. Sei que não demora. Suspiro ao sabor da batida do meu coração enquanto a água faz baloiçar o pedaço de plástico no poço da vizinha. Ela não sabe disso. Está quase. Os meus olhos procuram o barulho na paisagem e tentam segui-lo, capturá-lo. É agora. E desço o degrau. Bonnet.



Meti-me à estrada tentando chegar lá antes do anoitecer. Nunca conseguiria. Mas só o facto de a buscar iria acalmar o meu espírito inquieto. 10 minutos que sejam, 10 minutos apenas de vislumbre já me satisfazem. Quero senti-la por perto e à luz da lua esconder-me atrás de uns arbustos e espiá-la. Sem que ela saiba que alguma vez voltei. Que voltei atrás no tempo. Atrás na minha decisão. Atrás no meu caminho de fuga interminável. Atravesso o jardim e escondo-me atrás de um poço. Ela acende um cigarro. Olha em redor e não me vê. Espero nas sombras. Só ouço o meu coração bater. Clay

Vivos e Normais

Não quero saber sobre "Cadáveres Esquesitos"! Desculpa Clay, desculpa Cleo, desculpa quem quer que sejas.

Sei que ainda não te enviei as "Intermitências do Constante", mas não demoram muito a chegar, porque no outro dia chegou atrasadissimo, tão atrasado que ela quase ia embora. Quando chegou ela fumava já o quinto cigarro. - "Já é o quinto cigarro enquanto espero!"- disse ela, olhando para o fumo que se ia dissipando no ar. Ele sentou-se na cadeira em frente à gaja e pediu a cerveja. O tipo do bar demorou a trazer o meu aborrecimento, mas ele finalmente chegou, mas sei que vocês não o convidaram. Ele apareceu como o encrava, uma coisa que não se espera...

Entre duas metades

Já lá vai o tempo dos "Cadáveres Esquesitos".Todos os cadáveres que apareçam já não são esquesitos, são remedeios tristes! Perdemos a sensibilidade.
Mas eu não sou sensível a essas merdas. Só percebo de mondagem. Eles dão-me o sítio e eu mondo a erva. É assim a minha vida. E antes do Natal, aí umas duas semanas, tentarei fugir de casa.
Mas não fugir da educação que tiveste. Sê diferente, apesar de eu ser igual, sê corajoso, apesar de eu ser uma cobarde, mas sê tu próprio.
Se não quiseres, tens opção. A minha amiga Bonnie fartou-se da vida desgraçada que tinha em NOva Iorque quando passava modelos lá. Ela deixou de ser ela própria! Acrditem! Encheu-se e acordou na segunda-feira sem saber quem era.
Ele que nunca me disse "sim" nem "não, apenas me sorriste com esses lindos, enormes, olhos verdes...e então eu percebi...Que me sinto bem apenas pelo facto de te ver rir...
Como um elefante depois de um rato lhe ter feito cocegas! Ah! Jardins Zoológicos da minha infância! Fauna & Flora que sabem a passado...Perdi-me no esquecimento. Abri a janela do carro e olhei para o teu cabelo com repas dos anos 80, tu nas escadas a comer cogumelos e eu a chorar porque não queria que nos tirassema fotografia. Tive medo que nos roubassem a alma ou nos dessem a beber Coca-Cola.
Ninguem se entende, porque Coca-Cola não é suficiente para expulsar todas as sensações que o ser humano não aguenta e que são conseguentemente expulsas como lágrimas...Mas nunca mais vi ninguem que esteve lá naquele dia. Uma vez pareceu-me ter visto, mas era um saco de lixo junto à estrada.

Nunca me arrependi de nada.
Estava em mim.
Era eu.
Eu quis.


Clay & Bonnet dialog.



Fimalmente, o desígnio cumpriu-se, ainda que em tons púrpura...