É o fim de mim, dos meus passos mal gravados. Estou à espera nas escadas na noite fria, mas não me importo. Sei que ao segundo cigarro ele volta. Ouço os carros e tento capturar o momento em que direi é agora e descerei os degraus. Sei que não demora. Suspiro ao sabor da batida do meu coração enquanto a água faz baloiçar o pedaço de plástico no poço da vizinha. Ela não sabe disso. Está quase. Os meus olhos procuram o barulho na paisagem e tentam segui-lo, capturá-lo. É agora. E desço o degrau. Bonnet.
Meti-me à estrada tentando chegar lá antes do anoitecer. Nunca conseguiria. Mas só o facto de a buscar iria acalmar o meu espírito inquieto. 10 minutos que sejam, 10 minutos apenas de vislumbre já me satisfazem. Quero senti-la por perto e à luz da lua esconder-me atrás de uns arbustos e espiá-la. Sem que ela saiba que alguma vez voltei. Que voltei atrás no tempo. Atrás na minha decisão. Atrás no meu caminho de fuga interminável. Atravesso o jardim e escondo-me atrás de um poço. Ela acende um cigarro. Olha em redor e não me vê. Espero nas sombras. Só ouço o meu coração bater. Clay
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